Eu nunca fui o rei do rock
Mas não vendi minha guitarra
Um cantador me deu o toque
Cante, não berre, agüente a barra
Raios, trovões de trovador
Levei meu som num velho opala
Eu já fui junkie, eu já fui hippie
Agora é o mundo minha sala
Atravessei o riso e o choro
Por onde andei, cantei baladas
Raps, repentes, tristes blues
Rasgando o ventre das es tradas
Cegando o escuro de tanta luz
Vaguei por ruas sem asfalto
Andei por becos sem saída
Lutei até o último assalto
No ringue louco dessa vida
Na tela grande do destino
Fui bandoleiro, fui caubói
Vaqueiro errante, beduíno
Soldado dado à dor que dói
Plantei crisântemos, verbenas
Voei por astros e planetas
Desafinando eu e meu banjo
O triste coro dos caretas
Na tela do grande do cinema
Fui justiceiro, menestrel
Que escrevi com sangue e fel
Eu nunca fui o rei do rock
Mas não vendi minha guitarra
Cante, não berre, agüente a barra