Não me escutes nostálgico a cantar
Pois não sei se feliz ou infelizmente
Não me é dado, beijando, te acordar
deixe os meus cantos delirantes
A lua que procura diaman tes
Pa ra o teu lindo sono ornamen tar
Há sempre um vulto de mulher
Sorrindo em desprezo à nossa mágoa
Que nos enche os olhos d 'água
É sofrer, é chorar toda a vida
Arranca a máscara da face e pierro
Para sorrir do amor que passou
Deixar de amar, não deixarei
Porque o amor feito saudade
Cai a noite sobre o manso amor
E agora só restou do amor uma palavra
Minha vi da era um palco iluminado
Eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barragão no morro do Salgueiro
Foste a sonoridade que acapou
Da mulher bombarrona que voou
Parecia um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional
A porta do barraco era sem trinco
Mas a lua furando o nosso zinco
Salpicava de estrelas o nosso gelo
Tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que aventura desta vida
Eu chego lá, a noite é uma criança
Meus olhos ficam sangrentos
E pelas ruas vão te seguindo
Fo ge de mim, meu coração
Meus olhos ficam sorrindo
E pelas suas mãos te seguindo
Ah, se tu sou besses como eu
E o muito, e muito que te quero
E como é sincero meu amor