Quando eu pego a cantar o meu repente
Tudo em volta se cala pra escutar
Se congelam as ondas sobre o mar
E imudece o trovão subitamente
O feroz furacão fica silente
Sem ruído desdobra -se o tornado
O tufão fica imóvel e calado
Cada voz me respeita e fica muda
Treme o sol, treme a terra
Meu nome é Trupizup e o raio da
Numa espécie de elo telepático
Minha voz organiza o caos galáctico
E orienta o trajeto dos cometas
Meu cantar tem inúmeras facetas
E só pode ser bem apreciado
Treme o sol, treme a terra
Quando eu canto, martelo agalopado
Porque meu nome é Trupisupi,
Eu atrouo os espaços com meu grito
Que é tão forte que eu sei que nunca ouve
É igual a um enorme monolito
Que aparece e está por todo lado
Seu sentido jamais foi decifrado
É segredo que nunca se desnuda
Treme o sol, treme a terra
Quando eu canto o martelo agalopado
Porque meu nome é Trupizupi
Comecei aprendendo com Drummond
Traduzi os poemas de Ezra Pound
As canções de Bob Dylan, o Underground
E a escrita automática em Breton
Mayakovski foi quem me deu o tom
João Cabral me ensinou o ponteado
Com Rambo aprendi a ser afinado
Pra cantar o oceano com Neruda
treme a terra e o vento muda
Quando eu canto o martelo agalopado